Absalão, um político populista

Publicado em: 13 de abril de 2024

Categorias: Destaques, Devocionais

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Absalão era filho de Davi com Maaca. Sua mãe era filha de Talmai, rei de Gesur. Absalão tinha sangue real tanto por parte de pai quanto por parte de mãe. Esse jovem era singular em beleza física. Em todo o Israel não havia ninguém tão celebrado por sua beleza como Absalão. Da planta do pé ao alto da cabeça, não havia nele defeito algum.

Seu nome tem um rico significado. Absalão significa “pai da paz”. Esse jovem tinha tudo para ter futuro brilhante. Porém, fez escolhas erradas, arruinou sua vida e deixou um triste exemplo de um político populista que usou o povo para satisfazer seus caprichos egoístas. Destacamos alguns aspectos de sua vida:

Em primeiro lugar, um assassino frio e calculista. Absalão odiou seu irmão Amnom durante dois anos, pelo fato deste ter abusado de sua irmã Tamar. Escondeu seu ódio pelo irmão todo esse tempo com o objetivo de planejar e executar a morte dele com crueldade. Como Caim, Absalão tinha palavras macias nos lábios e uma dureza mortal no coração. Fez uma festa para servir de tocaia para matar seu irmão. Covardemente planejou e mandou executar seu irmão, em vez de confrontá-lo e perdoá-lo.

Em segundo lugar, um ladrão de corações. Havia se passado onze anos desde que sua irmã fora desonrada. Ao matar Amnom, Absalão fugiu de Israel e passou três anos no exílio. Por intervenção de Joabe, voltou a Jerusalém, mas seu pai lhe impôs uma prisão domiciliar, impedindo-o de entrar no palácio para vê-lo. Depois de dois anos em Jerusalém, sem ver a face do rei, Davi o recebe, no palácio, mas não fala com ele, apenas lhe dá um beijo na face. Então, Absalão vai para a porta da cidade, onde as causas eram julgadas e ali, de forma traiçoeira, furta o coração dos homens de Israel, preparando o caminho para uma conspiração contra o pai, para tomar-lhe o trono e tirar-lhe a vida.

Em terceiro lugar, um usurpador insolente. Absalão, engendra uma rebelião para tomar o trono de Davi, seu pai, e tirar a vida do pai. Consegue aliciar uma quantidade colossal de adeptos de todo o Israel. A conspirata tornou-se uma torrente caudalosa que parecia inundar toda a nação. Então, Absalão partiu de Hebrom, onde se proclamou rei, para Jerusalém. Seu propósito era matar Davi e ascender ao poder. Contando com o apoio de Aitofel na rebelião, o sábio conselheiro da corte, Absalão coabita com as dez concubinas de Davi, em plena luz do dia, numa afronta pública ao reinado do pai. Davi precisou fugir com seus aliados para não serem esmagados por essa revolta brutal.

Em quarto lugar, um ególatra inveterado. Por providência divina, o conselheiro Husai, em resposta à oração de Davi, demove Absalão de seguir o conselho de Aitofel, dando tempo para Davi atravessar o Jordão e montar uma estratégia de batalha. Absalão entrou na peleja acompanhado do povo de Israel e nos bosques de Efraim sofreu uma acachapante derrota para os servos de Davi, liderados por Joabe, Abisai e Itai. Nessa batalha, Absalão fica preso pelos cabelos nos galhos de um carvalho e é assassinado por Joabe, comandante do exército de Davi.

O narrador bíblico, entretanto, nos informa que Absalão não tendo herdeiro, levantou um monumento a si mesmo, para perpetuar seu nome. Seu projeto de vida era exaltar a si mesmo. Absalão foi um político demagogo e populista. Seu discurso de interesse pelas causas do povo não passava de uma falsa propaganda. Na verdade, ele usou o povo para atingir seus propósitos egoístas. Deixou como legado apenas um montão de pedras a cobrir-lhe o corpo e um monumento vazio a perpetuar sua mania de grandeza.

Em quinto lugar, um fracasso consumado. Absalão foi um consumado fracasso. Ele não foi o pai da paz, mas o progenitor das contendas, o patrono das guerras, o paraninfo da rebelião, o idealizador da morte, o político engenhoso, que furtou o coração do povo apenas para ver seu fracasso e testemunhar sua morte. Que Deus nos livre de líderes da laia de Absalão!

Rev. Hernandes Dias Lopes