O Pai da Mentira e Seus Filhos

Publicado em: 3 de abril de 2021

Categorias: Estudos de Quinta Feira

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A Bíblia ensina que o diabo peca desde o princípio: “Aquele que pratica o pecado procede do diabo, porque o diabo vive pecando desde o princípio (1 Jo 3.8).” Isto quer dizer que ele peca desde o tempo em que ele é diabo, ou seja, desde sua queda ele é instigador e gerador do pecado. Por ser o primeiro a pecar e instigador e originador do pecado, a Bíblia também o chama de pai de mentira: “Quando ele [o diabo] profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira (Jo 8.44)“.

Mas, qual foi a primeira mentira que o diabo contou que lhe fez merecedor do título pai da mentira?

A primeira mentira que o diabo contou foi a si mesmo e sobre si mesmo (pois de Deus não poderia ser). A si mesmo o diabo quis se convencer de que poderia viver segundo si mesmo e não segundo Deus. E aqui está a mentira, pois a verdade é que Deus criou todas as coisas (espirituais e naturais) para que tudo vivesse segundo sua vontade. Mas quando a vontade de alguém é viver segundo si mesmo e não segundo Deus, vive-se a mentira. Note, então, que da mentira do diabo sobre si mesmo, de que poderia viver segundo si mesmo, não segundo a vontade de Deus, operou o pecado do orgulho (Ez 28.1-10), pois orgulhoso é todo aquele que acha bastar-se a si mesmo, sem necessidade do outro. Assim o diabo fez, por isso foi expulso da presença de Deus e com ele todos os demais anjos, os conhecidos anjos maus, que o seguiram (Ap 12.4).

Interessante observar que a proposta da serpente (diabo) à Eva foi de que ela, agindo por si mesma e, segundo sua vontade própria e não a de Deus, comesse do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal (Gn 3.1-4). Se assim fizesse, como Deus se tornaria (Gn 3.5). A mulher foi enganada pelo diabo a cometer o mesmo pecado dele, o de desejar viver segundo si mesmo e não segundo Deus. E a queda dos primeiros seres humanos se completou quando o homem foi seduzido pela mulher enganado a cometer o mesmo pecado (Gn 3.6). E como foi expulso o diabo da presença de Deus com todos os anjos maus que o seguiram, assim foram expulsos o homem e a mulher do jardim, de onde gozavam a plena comunhão com Deus (Gn 3.23-24).

O pecado original fora cometido, então: “Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram (Rm 5.12).Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus (Rm 3.23).

Observe ainda mais: Segundo João, o diabo não só é pai da mentira, como também é pai dos que praticam o pecado:

Aquele que pratica o pecado procede do diabo, porque o diabo vive pecando desde o princípio. Para isto se manifestou o Filho de Deus: para destruir as obras do diabo. Todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática de pecado; pois o que permanece nele é a divina semente; ora, esse não pode viver pecando, porque é nascido de Deus. Nisto são manifestos os filhos de Deus e os filhos do diabo: todo aquele que não pratica justiça não procede de Deus, nem aquele que não ama a seu irmão (1 Jo 3.8-10).

De forma oposta aos filhos de Deus, que praticam a justiça, os que praticam o pecado são filhos do diabo.

“O diabo não fez homem algum, não deu à luz homem algum, não criou homem algum: mas aquele que imita o diabo, este, como se tivesse nascido dele, torna-se filho do diabo; ao imitá-lo, e não por ter literalmente nascido dele” (Agostinho).

As obras dos filhos de Deus não podem ser as obras dos filhos do diabo, pois a semente (natureza de Deus ou princípio divino – a linhagem) deles é o próprio Deus, logo, quem é nascido dele (filho de Deus) não pode praticar aquilo que é conforme o diabo (próprio dos filhos do diabo).

O ensino do apóstolo João identifica quem persiste na prática do pecado como filho do diabo, enquanto os filhos de Deus permanecem na prática da justiça (pureza – cf. 2.29) e do amor fraternal (cf. 2.9-11).