Cana quebrada e Torcida que Fumega

Publicado em: 4 de setembro de 2022

Categorias: Destaques, Devocionais

Visualizações: 48

Tags: , , , , ,

O profeta Isaías tratando do Messias, diz que ele viria nas asas da misericórdia e não esmagaria a cana quebrada nem apagaria a torcida que fumega (Is 42.3). Ambas as figuras apontam para a doce graça e a sublime misericórdia do nosso Salvador. Vamos aqui, destacar algumas lições preciosas:

Em primeiro lugar, Jesus não esmaga a cana quebrada. A cana quebrada somos nós, com nossos pecados, fraquezas e mazelas. Não somos como um carvalho robusto nem como um nobre cedro do Líbano. Somos comparados a uma cana frágil e delgada. Mas, não somos apenas como uma cana, mas como uma cana quebrada. Fomos amassados pela engenhoca das nossas fraquezas, moídos no engenho dos nossos pecados e quebrados pelas nossas múltiplas quedas e fracassos.

Se o Senhor nos tratasse conforme os nossos pecados seríamos de todo consumidos. Se ele aplicasse sobre nós seu reto juízo seríamos condenados inexoravelmente. Se fôssemos deixamos à nossa própria sorte, seríamos arrastados para o monturo como algo sem valor. Mas, o Senhor cheio de benignidade, chamou a si os que nada são para realçar o poder de sua graça. Ele ofereceu descanso aos cansados, água da vida aos sedentos e pão do céu aos famintos. Ele veio para sarar os quebrantados de coração. Ele nos apanhou feridos, quebrados, sujos e contaminados. Ele nos lavou, nos restaurou e nos deu vida.

Ele não virou o rosto de nós, mas veio para habitar entre nós. Ele não virou as costas para nós, quando a lepra do nosso pecado cheirava mal, mas nos agasalhou em seu peito e carregou sobre o seu corpo no madeiro os nossos pecados. Ele não fez de nossa cana quebrada um bagaço imprestável, mas inundou nossa vida da doçura de sua graça e nos deu a vida eterna.

Em segundo lugar, Jesus não apaga a torcida que fumega. A torcida que fumega é um pavio encarvoado, cuja luz bruxuleante está misturada com fumaça lôbrega. O bondoso Salvador não apagou de vez esse borrão que éramos nós. Ele viu nessa fumaça tóxica uma réstia de luz. Ele soprou com seu Espírito e acendeu essa lâmpada quase apagada. Ele lançou fora as cinzas e reavivou a chama. Sendo ele a verdadeira luz que vindo ao mundo ilumina a todo o homem, fez de nós, pavio fumegante, a luz do mundo.

Jesus não desiste de nós, por causa de nossas fraquezas e pecados. Mesmo que, como Pedro, nos julguemos inaptos para prosseguir na jornada cristã, ele marca um encontro conosco para restaurar nossa vida e nosso ministério. Mesmo que estejamos desfalecendo, ele nos fortalece. Mesmo que estejamos enfermos, ele nos cura. Mesmo que estejamos sujos e contaminados como um homem coberto de lepra, ele nos purifica. Mesmo que estejamos prostrados e sem esperança, como um paralítico, com os músculos atrofiados, ele nos levanta. Ele é o pastor que nos leva aos pastos verdes e às águas tranquilas.

Ele supre todas as nossas necessidades na vida, remove todos os nossos temores na morte e satisfaz todos os nossos desejos na eternidade. Ele é o Senhor dos Exércitos que desbarata nossos inimigos. Estando ele ao nosso lado, jamais seremos abalados. Sendo ele o nosso Advogado, jamais seremos condenados. Sendo ele o nosso Mediador, jamais nos faltará acesso à presença do Pai. Sendo ele o nosso Salvador, jamais faltará para nós a garantia da vida eterna. Nossa segurança não está na chama poderosa que irradia dentro de nós, mas na compaixão do nosso Redentor, que não apaga a torcida que fumega!

O texto em tela aponta duas verdades cruciais: a enormidade de nossa fraqueza e a misericórdia incomparável do nosso Redentor. Não somos salvos porque somos fortes. Ao contrário, somos salvos apesar de nossas fraquezas. Não somos salvos por causa dos nossos méritos, mas apesar dos nossos deméritos. Nossa salvação não repousa sobre os predicados que temos em nós, mas nas virtudes que habitam em nosso glorioso Redentor. Dele vem a nossa salvação. Dele procede a nossa restauração. A ele, portanto, a honra, a glória e o louvor, agora e pelos séculos sem fim!

Texto do Reverendo Hernandes Dias Lopes