Matematica da Vida

Publicado em: 17 de setembro de 2023

Categorias: Destaques, Estudos de Quinta Feira

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Há uma matemática da vida. Ela não é exata, porque depende muito mais da pessoa que faz a operação, do que dos números, variáveis e quantidades. No Salmo mais antigo de toda a Bíblia, Moisés tem uma expressão muito conhecida, mas que, pode ter um significado muito especial. Em tom de súplica, Moisés pede a Deus: “Ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio” (Salmos 90:12), e nesse pedido, três verdades sobressaem:

A primeira é que há um que ensina e outro que aprende. Um que pede para ser ensinado e outro que reconhece que precisa aprender.

Moisés pede para ser ensinado por Deus, porque reconhece que Ele sabe tudo. E Deus sabe porque é eterno. Não tem passado, presente ou futuro, como acontece conosco, que nos esquecemos do passado, nada temos garantido no futuro, e mal aproveitamos o presente.

No restante do Salmo, que tem como título em português – a eternidade de Deus e a transitoriedade do ser humano – esse contraste fica claro. Deus é apresentado como aquele que permanece o mesmo, mesmo que tudo e todos mudem. 

Nos primeiros versos do Salmo 90, Moisés se dirige a Ele assim: “Senhor, tu tens sido o nosso refúgio, de geração em geração. Antes que os montes nascessem e se formassem a terra e o mundo, de eternidade a eternidade, tu és Deus, e por isso, afirma que o ser humano é apenas pó, visto que aos olhos de Deus, “mil anos são como o dia de ontem que se foi e como a vigília da noite”. 

No mesmo sentido de apontar o contraste entre a eternidade de Deus e a transitoriedade do ser humano, Moisés afirma que “Deus nos arrasta como em uma torrente”, e compara a nossa vida a um sono passageiro, e a relva do campo, que floresce de madrugada; de madrugada, viceja e floresce; à tarde, murcha e seca.

Mais à frente, Moisés também compara a nossa curta vida de setenta, oitenta anos, como um “breve pensamento” e afirma que “tudo passa rapidamente e nós voamos”

A segunda verdade é que há um que é perfeito e outro que é falho, imperfeito e pecador. 

Moisés reconhece que nossas iniquidades e até nossos pecados ocultos estão expostos diante do olhar de Deus, que nos fez a sua imagem, para que fossemos bons, puros e justos como Ele é. Infelizmente, se formos sinceros, temos que reconhecer: somos pecadores, e como consequência disso, a vida tem se tornado, na expressão de Moisés, “canseira e enfado”. 

Afinal de contas, qual é o galho que, cortado da árvore e sem a seiva correndo por ele, sustenta a beleza de suas flores e o doce dos seus frutos? 

A terceira e última verdade, é que apesar de tais contrastes, que podem ser desesperadores para qualquer um de nós, Moisés também lembra da compaixão e da benignidade de Deus para conosco.

Ele pede a Deus: “Volta-te, Senhor! Até quando? Tem compaixão dos teus servos” e complementa, usando dois verbos – saciar e alegrar – que expressam as obras da graça gloriosa de Deus para conosco. 

Ele pede: “Sacia-nos de manhã com a tua benignidade, para que cantemos de júbilo e nos alegremos todos os nossos dias. Alegra-nos por tantos dias quantos nos tens afligido, por tantos anos quantos suportamos a adversidade”, concluindo com uma perspectiva equilibrada entre o que podemos fazer e o que só Deus pode fazer: “Seja sobre nós a graça do Senhor, nosso Deus; confirma sobre nós as obras das nossas mãos, sim, confirma a obra das nossas mãos”. 

Tudo isso faz sentido para você? Se faz, é porque você já começou a praticar a sabedoria dessa “matemática da vida”, que fazia Moisés pedir “ensina-nos a contar os nossos dias para que alcancemos corações sábios”. 

Esta sabedoria de Deus ajuda-nos a valorizar mais o que nos resta, do que aquilo que perdemos. Sim, temos consciência dos prejuízos que já enfrentamos, das dores que já sentimos, do sofrimento que já passamos, das pessoas que amamos que já partiram, da saúde, que talvez já não esteja tão bem e assim por diante. 

Porém, a sabedoria de Deus nos faz valorizar a vida, o futuro, enchendo o coração de esperança e a alma de força para viver.

Texto do Reverendo Robinson Grangeiro, chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie