Quando um Filho se distancia dos Caminhos do Senhor

Publicado em: 5 de outubro de 2019

Categorias: Destaques, Estudos de Quinta Feira

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De todas as experiências dolorosas na vida cristã, parece não haver nenhuma mais angustiante do que observar alguém que amamos se rebelando contra o Senhor. Se uma dessas pessoas for um filho ou uma filha, a dor é ainda mais intensa. O fato é que os pais crentes não criam seus filhos para perdição. Também, por conhecerem o que as Escrituras ensinam sobre o destino dos que se afastam da “fonte de vida”, veem a rebeldia dos filhos como algo praticamente insuportável.

Além da dor causada pelo afastamento da pessoa amada, há a frustração de perceber que os argumentos usados no apelo para que ela se arrependa parecem não ter qualquer efeito aos seus ouvidos. O diálogo fica totalmente prejudicado, pois os interesses se tornam distintos, os padrões de conduta e os valores não são mais os mesmos entre as partes envolvidas. Para piorar a situação, há a contínua sensação de impotência, uma vez que os pais não podem, de fato, mudar a estrutura do pensamento e nem o coração dos seus filhos.

Nessa condição, não são raras as experiências de “surtos de desespero existencial”, que tomam os pais cristãos, especialmente aqueles que se afadigam na obra do Senhor. Logo, uma palavra amiga, um ombro ou um ouvido sensível são sempre bem-vindos. Também, algumas poucas diretrizes práticas poderiam ajudar e por isso compartilho abaixo alguns tópicos para sua reflexão.

  1. Cultive sua alegria no Senhor. A Bíblia ensina que a alegria no Senhor é nossa força (Neemias 8.10), mas não apenas isso. O júbilo por quem Deus é e pelo que ele tem feito por nós é também testemunho para os filhos rebeldes. Se esses filhos observam seus pais tristonhos, deprimidos e desesperados por causa das escolhas erradas que os filhos tomaram, logo começarão a questionar a firmeza da fé dos pais. O inimigo é tão astuto que poderá levá-los a pensar que os pais amam mais os filhos do que o próprio Deus. Aliás, não foi essa a maneira como Satanás acusou Jó, sugerindo que o amor de Jó por Deus era somente em troca da estabilidade financeira e familiar que ele possuía (cf. Jó 1)? Por isso, cultive sua alegria em Deus, pregue as maravilhosas verdades do evangelho para si mesmo, ouça hinos e cânticos espirituais que proclamam a bondade do Senhor para contigo.
  2. Compartilhe sua dor com alguém e peça orações. Deus nos salvou para nos incluir em uma família e esse contexto comunitário é fundamental para nosso crescimento espiritual, mesmo quando atravessamos pelos desertos nessa vida. Alguns pais têm a tendência de manter a dor em segredo. Talvez por não desejarem expor seus filhos ou mesmo pelo orgulho de não serem julgados como pessoas que fracassaram nessa área. Todavia, na vida espiritual nenhum crente é chamado para ser um “cavaleiro solitário”, mas é possível recorrer ao apoio solidário existente no Corpo de Cristo. Um dos exemplos significativos nesse sentido é a história de Daniel (cf. Daniel 1). Aparentemente, o profeta tomou uma resolução sozinho em relação a resistir as ofertas de Nabucodonosor (v 8). No entanto, alguns versos à frente o leitor observa que ele contou com a ajuda, o apoio e as orações dos seus três amigos e aquilo foi importantíssimo para o sucesso da empreitada. Portanto, procure alguém para ajudá-lo nesses momentos.
  3. Interceda intensamente pela salvação de seus filhos. De fato, a única pessoa que pode transformar corações é o Espírito Santo. Nossos argumentos, nossos gestos de amor, nossas broncas, nossas explosões, e tantas outras atitudes, se revelam completamente impotentes e inoperantes nessas situações. Há alguns pais que ainda se lançam à prática do jogo das manipulações, apelando aos sentimentos, ao bom senso e à lógica dos filhos rebeldes. O problema é que a pessoa que está enamorada pelo mundo já tem suas emoções comprometidas com outro amor, com outros valores e outros alvos e sua lógica não opera como a do pai ou mãe cristã. Pior ainda, a manipulação acaba comunicando a vitimização dos pais e, tratando-se de vitimização, jovens rebeldes são, geralmente, especialistas e dificilmente serão vencidos nesse campo. A melhor escolha continua sendo falar deles para Deus em contínua intercessão, “derramando a alma” e colocando-os nas mãos daquele que pode convencê-los do pecado, da justiça e do juízo.
  4. Cultive o seu relacionamento conjugal. Poucos pais percebem o quanto a rebeldia dos filhos afeta seu relacionamento conjugal. O fato é que nesse contexto, o pai e a mãe acabam consumindo e investindo mais tempo e energia nos filhos do que no relacionamento conjugal. É possível ainda que esse relacionamento se torne marcado por discussões e brigas pelo fato de um querer tomar uma atitude em relação ao rebelde e o outro não concordar ou desejar algo diferente. Quando isso ocorre, além da distância dos filhos, os pais passam a viver um relacionamento conjugal distante e enfraquecido. Com isso, a angústia só aumenta e o sabor da vida se torna extremamente amargo! Dessa maneira, pais de filhos rebeldes devem fazer provisões para se unirem mais nessas horas, orarem juntos, chorarem juntos e procurarem fortalecer um ao outro.
  5. Ore para que Deus revele aos seus filhos a feiura do mundo. Quando filhos de pais crentes se encantam com o mundo ao redor, acontece com eles o que diz o ditado popular: “quem ao feio ama, bonito lhe parece”. No entanto, a Bíblia ensina que o mundo jaz no maligno (1João 5.19), ou seja, as influências satânicas estão por detrás de suas propostas e “encantamentos”. Somente Deus pode revelar aos enamorados por esse mundo maligno as feiuras nele existentes. Dessa maneira, parte do conteúdo das orações de pais crentes por seus filhos rebeldes deve ser que o Senhor conceda a eles a graça de perceber a malignidade dessa sociedade, a inconstância dos discursos humanistas e a crueldade de uma vida sem Deus. Suplicar que Deus abra os olhos do rebelde para a realidade espiritual do mundo é extremamente necessário.
  6. Peça perdão pelos erros que cometeu ao longo da criação dos seus filhos. É provável que na tentativa de afirmar seu novo estilo de vida um filho ou uma filha que se afasta do Senhor aponte as falhas dos pais em sua criação. Em determinados momentos parece até injusto para esses pais terem que concordar com filhos que não lhes dão mais ouvidos. Contudo, o evangelho nos convida a uma vida de transparência e honestidade, não apenas diante de Deus, mas também diante das pessoas com quem nos relacionamos. Além do mais, certamente existiram erros na forma de instrução e, embora esses não justifiquem a rebeldia dos filhos, é possível sentar com eles e honestamente pedir perdão pelas falhas, deixando assim um exemplo da humildade cristã. Afinal, quem nos julga é o Senhor.
  7. Trate-os os com a graça com a qual você tem sido contemplado em Cristo Jesus. Em outras palavras, é importante que pais de filhos rebeldes se lembrem de que um dia eles também se rebelaram contra o Pai celestial que, graciosa e insistentemente, os buscou. Em sua obra de perseguir criaturas desviadas, o Pai usou tanto a firmeza da Lei quando a cativante apresentação da Graça. O problema é que muitas vezes os pais de filhos rebeldes se lembram apenas de aplicar a Lei no tratamento com seus filhos. A Lei os expulsa de casa, mas a Graça deixa a porta aberta e convida para o almoço em família! A Lei exige que eles pratiquem a virtude para serem amados, mas a Graça os lembra que eles são amados até quando não vivem virtuosamente. Nesse sentido devemos aprender com o gracioso Pai celestial.

Enfim, não existe “receita de bolo” para situações tão complexas e dolorosas como essas. Ao final, um pai ou mãe pode seguir todos passos acima e ainda assim continuar com as lágrimas nos olhos e a dor no coração. Nenhuma dessas sugestões é garantia pragmática do sucesso, mas apenas dicas sobre como agir certo quando alguém que amamos tanto, como nossos filhos, agir errado! Minha oração é que o Senhor conceda graça aos pais que leem esse texto e se encontram em situações semelhantes.

Estudo de Valdeci Santos